segunda-feira, 23 de maio de 2011

ENERGIAS RENOVÁVEIS NO BRASIL

Eduardo Baltar é diretor da Enerbio Consultoria, responsável por diversos projetos de créditos de carbono e estratégias empresariais de combate à mudança do clima. Criador do Programa Emissão Zero de Carbono, participou das COP 15 e 16 como membro da delegação brasileira.

Em março passado, ocorreu, em Manaus, o Fórum Mundial de Sustentabilidade. O evento contou com a presença de figuras ilustres internacionais, como o ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, o ex-presidente americano Bill Clinton, o megaempresário britânico Richard Branson e o cineasta James Cameron. Muito se falou sobre o papel das energias renováveis para o futuro sustentável do mundo. Compreensível, já que, para os países desenvolvidos, a matriz energética é um dos principais problemas ambientais, principalmente pelas altas taxas de emissões de gases do efeito estufa.

Como muito se propaga, a nossa matriz é predominantemente limpa. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), cerca de 71% da potência instalada no país é proveniente de fonte hidrelétrica, e apenas 17% da capacidade energética é proporcionada por fontes termelétricas de origem fóssil, como carvão mineral e óleo diesel ou óleo combustível. A participação atual de outras fontes de energia renováveis, como a eólica (0,81%) e a solar (0,00001%), é irrelevante.

De acordo com a previsão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em decorrência do crescimento econômico do Brasil, teremos até 2019 um aumento médio anual de 5,9% no consumo energético do país, sendo esse crescimento mais intenso até 2014. Prevê-se um aumento de oferta de energia de aproximadamente 48% até 2019, ainda se fundamentando em fontes limpas e renováveis.

A maior parte desse crescimento será viabilizada por grandes usinas hidrelétricas, com suas maiores interferências socioambientais. Em 2019, a oferta por energia eólica representará cerca de 3,5% da oferta de energia de nosso país. O crescimento da oferta de energia solar na matriz nacional é tão insignificante que não chega a ser especificado no estudo da EPE.

Essas fontes alternativas de energia menos impactantes podem tomar um maior impulso com o desenvolvimento tecnológico, que podem barateá-las, inclusive para autoprodução de energia. Existem nos países desenvolvidos diversos incentivos para a implantação de painéis solares e pequenas turbinas eólicas para geração em residências, prédios comerciais e empresas. É possível gerar energia para consumo próprio e, inclusive, fornecer o excedente para a rede.

Imagine uma situação onde você instala painéis solares em sua residência. Como na maior parte do tempo você está trabalhando fora de casa e consumindo pequena quantidade de energia, a sua conta ficará mais barata. Você pode também não pagar nada ou ainda receber certa quantia em dinheiro pela sua geração energética.

Para isso se tornar realidade no Brasil, é preciso um marco regulatório que regule essas relações e forneça transparência a todos. Além disso, instrumentos financeiros devem ser pensados para incentivar o investimento por parte das pessoas físicas, como contratos de compra de longo prazo para essas fontes energéticas, linhas de financiamento diferenciadas, benefícios fiscais etc.

Não é à toa que recente relatório sobre investimentos em energias renováveis da ONG americana The Pew Charitable Trust aponta que os investimentos em geração de energia solar em pequena escala cresceram 100% em relação a 2009 na Alemanha e na Itália. Isso é resultado de políticas governamentais atrativas aos investidores de pequeno, médio e grande portes. A capacidade instalada mundial de energia solar cresceu 70%. A do Brasil não cresceu nada. Parece um desperdício com o potencial que temos para essa fonte no país.

As políticas públicas são fundamentais para a viabilização da microgeração de energia renovável para o autoconsumo. São fundamentais tanto no incentivo à pesquisa e desenvolvimento que possa tornar essas tecnologias mais baratas e acessíveis, como na definição do ambiente regulatório que fornecerá segurança aos pequenos e médios investidores. Dessa forma, poderemos diversificar a nossa matriz energética e continuar crescendo economicamente de forma sustentável.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Um modelo nacional para a reciclagem de vidro

Criar um modelo de reciclagem de vidro que sirva para todo o país.  Este é o tema principal da palestra do superintendente da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte. Ele é um dos palestrantes do IV Seminário sobre Tecnologias Limpas e do VI Fórum Internacional de Produção mais Limpa, que ocorre de 8 a 9 de junho no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre.

Belmonte falará sobre a proposta de modelo nacional de reciclagem desenvolvido pela ABIVIDRO, com base em estudo conduzido pelo Monitor Group. Este modelo estabelece uma base inicial sólida para que tanto a cadeia do vidro, como a de outras embalagens, possa construir um acordo setorial robusto que solucione o desafio dos resíduos sólidos no Brasil.

O superintendente da Abividro salienta que, apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada por lei em agosto de 2010, ser bastante ampla, ela direciona as ações dos poderes públicos, bem como as dos envasadores, fabricantes de embalagens e distribuidores.  “A indústria, como responsável solidária pelo resíduo, é chamada a se
posicionar com proposta de acordo setorial para o cumprimento com a Lei”, afirma Belmonte, cuja palestra também irá traçar um panorama geral sobre a situação do vidro em outras partes do mundo.
A União Européia, por exemplo, foi estudada em detalhes devido ao sucesso das iniciativas de gestão de recicláveis e às semelhanças com a legislação brasileira. “Observamos que em todos os países estudados, as iniciativas têm trazido resultados consistentes de melhoria das taxas de reciclagem”, explica Belmonte.
  

“No Brasil temos modelos variados e desestruturados e, como conseqüência, um baixo controle de qualidade e infraestrutura, além de condições de trabalho não adequadas”, lamenta.
  
Segundo o especialista, o modelo desejado deve ter foco na triagem da coleta seletiva municipal, além de uma infraestrutura adequada com investimentos previstos na política nacional, proporcionando inclusão social e geração de renda com envolvimento estruturado de cooperativas e sendo viável financeiramente e atraente para a indústria.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

CRESCIMENTO ECONÔMICO E SUSTENTABILIDADE

O Brasil cresce e em alguns anos estará entre as cinco maiores potências mundiais. Mas a que custo? Com que projeto de desenvolvimento social e ambiental?
O ambiente já tem demonstrado claramente que não tem mais como suportar o modelo até então vigente, de exploração sem limites das reservas naturais e de destinação de grandes quantidades de resíduos gerados pelos processos produtivos e também dos produtos após a vida útil.
Várias alternativas estão sendo experimentadas pela humanidade na busca do conceito, hoje , ainda não bem definido de sustentabilidade, que consegue transmitir uma necessidade a ser perseguida, mas cujo caminho ainda não se abriu claramente, bem como suas ferramentas ainda não demonstram que já tenhamos conseguido atingi-la.
A UFRGS nesta conjuntura, de pleno desenvolvimento econômico, tem a máxima responsabilidade de participar desta discussão e de abrir caminhos na busca da sustentabilidade, principalmente pela montagem de parcerias, como a que estamos pela quarta vez realizando, com o CNTL e a ABES, para aprofundarmos os conceitos e termos de forma clara os resultados da aplicação de uma das principais ferramentas de gestão que busca a sustentabilidade, a PRODUÇÂO MAIS LIMPA, encarada como uma nova forma de se pensar o processo produtivo, desde a concepção do produto até o pós-vida útil do mesmo.
Tudo isto demonstra a importância deste Seminário, na sua quarta edição e neste momento conjuntural e com os temas que ele está se propondo a desenvolver.
A UFRGS cumpre assim com a sua missão frente à Sociedade Gaúcha.
Prof. Darci Campani - Coordenadoria de Gestão Ambiental da UFRGS

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Palestra: Sistema de Gestão de HSE Corporativo da AGCO

Pode-se dizer que a história da AGCO em relação à gestão de Meio Ambiente iniciou através da parceria feita com o Centro Nacional de Tecnologias Limpas do SENAI / FIERGS em 1998. Naquela época foram passados conceitos, procedimentos e práticas que permanecem até hoje vigentes na empresa.
            A AGCO hoje possui um sistema de gestão corporativa integrando meio ambiente, segurança e saúde ocupacional, que reúne uma série de iniciativas que diminuem os impactos ambientais gerados pelas suas atividades, em todas as suas unidades de produção. Neste evento, pretende-se mostrar como é feita esta gestão e quais as nossas principais iniciativas. 

Palestrante: Marcelo Matarazzo Araújo – Gerente Corporativo de HSE















Formado em Engenharia Civil, pela Universidade de Mogi das Cruzes, com Especialização em Engenharia de Segurança e Meio Ambiente, pela Universidade de São Paulo, e MBA em Gerenciamento de Tecnologias Ambientais, também pela Universidade de São Paulo. Hoje atua na AGCO Corporation como Gerente Corporativo para América do Sul de Meio Ambiente, Segurança e Saúde Ocupacional.
É especialista em gestão empresarial, planejamento estratégico para o posicionamento da organização em relação ao conceito de desenvolvimento sustentável aplicado às empresas, indicadores de sustentabilidade, áreas impactadas, a avaliação de sustentabilidade para novos investimentos, higiene ocupacional, ergonomia e programa de auditoria de conformidade legal.

segunda-feira, 28 de março de 2011

IV Seminário sobre Tecnologias Limpas e o VI Fórum Internacional de Produção mais Limpa


Ao longo de todos estes anos que estou filiado a ABES, a medida em que as atividades profissionais permitem, tenho colaborado com a entidade, não apenas porque acredito nos objetivos para os quais ela se propõe, mas principalmente porque dia a dia faço novos amigos, reencontro antigos colegas, aprimoro conhecimento e empresto minha modesta colaboração, seja através de experiências profissionais como consultor na área ambiental, profissional da REFAP ou ainda como perito judicial.
Nesta edição do IV Seminário sobre Tecnologias Limpas e o VI Fórum Internacional de Produção mais Limpa, recebi da diretoria da ABES a missão de responder pela coordenação do evento.
O trabalho iniciou no segundo semestre de 2010 e ao longo destes meses temos definido a programação científica, visitado eventuais patrocinadores, ajustado ações de divulgação e ajustado um a um detalhes que contribuam na troca de informações e conhecimento entre todos aqueles que estiverem conosco nos dias 8 e 9 de junho.
Nesta edição aguardamos a participação de 250 pesquisadores e profissionais de importantes organizações, além de estudantes de nível superior, envolvidos com a temática ambiental, oriundos de diversos estados da Federação.
A programação científica busca oferecer condições para a discussão de assuntos relacionados ao estágio atual e o futuro na aplicação de Tecnologia Mais Limpa nas organizações.
Esperamos que, a exemplo das edições anteriores, o evento propicie reflexão, evolução, mudanças e melhorias na competitividade das organizações e, principalmente, no desenvolvimento dos seres humanos que nelas fazem acontecer.

Eng.º Manuel Zurita


quarta-feira, 16 de março de 2011

P+L

Produção + Limpa é a maneira de produção com menor impacto ambiental e que menos gera resíduos.